Cartaz de viés antibolsonarista expõe comerciantes de Euclides da Cunha e provoca reação; secretário denuncia intimidação e possível boicote coletivo

Um cartaz de conteúdo político que circula nas redes sociais e associa dezenas de estabelecimentos comerciais de Euclides da Cunha, na Bahia, à expressão “comerciante fascista” provocou reação em defesa do comércio local. A publicação apresenta uma lista de lojas, empresas e profissionais, acompanhada de mensagens de cunho político e das hashtags #comerciobolsonarista e #dependemDoBolsaFamilia, que podem estimular o afastamento de consumidores dos negócios citados.

A iniciativa, de caráter antibolsonarista, levanta questionamentos sobre os limites da manifestação política, a exposição pública de comerciantes e as consequências de campanhas que associam estabelecimentos a rótulos ideológicos depreciativos. Embora o boicote seja uma forma de manifestação que pode estar protegida pela liberdade de expressão, a divulgação de acusações e a maneira como são direcionadas a pessoas e empresas podem suscitar questionamentos sociais e jurídicos.

Secretário municipal manifesta apoio ao comércio local

Diante da repercussão, o secretário municipal de Comércio, Indústria, Turismo, Emprego e Renda de Euclides da Cunha, João Onofre de Souza Lima Neto, conhecido popularmente como Neto, divulgou em seu perfil no Instagram uma “Nota Oficial de Esclarecimento e Apoio ao Comércio Local”.

Na manifestação, o secretário afirma que ataques ao comércio e a divulgação de informações falsas podem gerar insegurança, estimular a hostilidade e atingir os proprietários dos estabelecimentos, seus colaboradores e as famílias que dependem da atividade econômica.

O secretário também ressalta que o comércio local desempenha papel importante na geração de emprego e renda e defende que os empreendimentos sejam respeitados independentemente das posições ideológicas de seus proprietários.

A nota repudia o que classifica como tentativas de intimidação, perseguição ideológica e constrangimento econômico contra comerciantes e consumidores. O posicionamento institucional busca reforçar a defesa da atividade empresarial e a preservação de um ambiente comercial no qual a população possa exercer suas escolhas sem sofrer pressões políticas.

Episódio anterior também gerou debate sobre boicote político

Há cerca de quatro anos, Euclides da Cunha já presenciouuma situação semelhante, quando opositores do lulopetismo defenderam, de maneira mais isolada, o boicote a determinados comerciantes em razão de suas posições políticas. Na ocasião, a iniciativa teve repercussão mais restrita e foi contestada inclusive por pessoas do próprio campo ideológico de quem a defendia.

O episódio, embora revele que a tentativa de associar preferências políticas a escolhas comerciais não é um fenômeno exclusivo de um único espectro ideológico, apresenta diferenças em relação à situação atual. O cartaz que circula agora chama publicamente comerciantes de “fascistas” e reúne diversos estabelecimentos em uma mesma publicação, ampliando a exposição coletiva e o potencial de constrangimento. A comparação reforça a necessidade de analisar cada caso com equilíbrio, sem normalizar a perseguição política ou a estigmatização de comerciantes por suas convicções.

✍️ Euclidesdacunha.com | Jaciel Correia